segunda-feira, 20 de julho de 2009

coração

Chegámos da praia e o telefone dele toca, deve ser a milionésima vez hoje, já que ele rejeitou as outras todas. Perguntei quem era, disse-me quase sem voz "é ele, outra vez". Atendeu e foi para a rua. Voltou e disse-me ainda mais sem voz do que à pouco "era o meu pai, confirmou o que já prevíamos, tenho que ir, hoje, agora".
Fiquei a olhar pra ele, olhos nos olhos. Caiu-lhe uma lágrima, abraçou-me e disse que voltava assim que pudesse. Sinto-me vazia por dentro, mais uma vez queriam roubar-me um bocado (e que grande bocado) de mim.
Muita gente me diz que se já aguentei dez meses, mais um não fazem mal. Pois não, não vos faz mal a vocês que mais uma vez, não sabem o que é amar. É assim o ano todo, sem ti, sem o teu cheiro, só com a saudade e com a tua voz pelo telefone.
Saíste à cinco minutos e a saudade já me destrói por dentro.
Quero-te comigo, aqui e agora, sem que te afastes e que me possas abraçar a toda a hora.
Sinto-te comigo, mas continuo a não te ter.
a tua eterna flor,
AMO-TE

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